domingo, 24 de março de 2019

"SOMOS DOIS GRITOS CALADOS."

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                                                                                                     Obra Ismael Nery

segunda-feira, 11 de março de 2019

De pé

AMAR

             
             ENVOLVE


GARGANTA

PULMÃO

E

SANGUE

domingo, 9 de dezembro de 2018

SOBRE O AMOR




Sua escova de dentes ainda figura no mesmo lugar. As trepadeiras que você plantou na janela todos os dias abrem botões roxos e lisérgicos, colorindo meu olhar. Tem uma cueca sua pendurada no cabide do quarto. Seu desodorante está aqui. Seu violão. Sua vitrola. Todos os seus discos. Alguns livros esquecidos.Sua caixinha de Cuba. Ainda há um fio que guardo. Um fio da nossa história. Um fio de fé.

terça-feira, 12 de junho de 2018



Tudo que eu quis foi pousar no teu peito
Eternamente
Te via velhinho
Compreendendo meus tropeços
Rindo da minha menina
Essa que habita meus olhos
E você reconhece o brilho
Achei que teríamos tempo
Para as crias
Para as plantas no jardim
Para aventurar-nos em nós
Acreditei que erraríamos
E acertaríamos
E cresceríamos juntos
Sempre juntos
Porque te escolhi
Porque nos escolhemos
Mas o passado
Nunca perdoamos
E o futuro nos separou.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017



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Belo instrumento no peito de tanta nobreza
E eis que estica sua seta o guerreiro
Com olhos de coragem e espanto
Lança-se no mundo ao lado de quem o ama

Ela, em perfeita simetria ancestral, faria o mesmo.
Tornaria-o possível
Travaria duras batalhas em busca de seus olhos

O medo/coragem atravessa sua noite
Mas aquele tambor no peito seduziu com graça
Uma moça amarela que dança

Despida no meio da noite
Ela dança sem saber que é alvo
Ela apenas dança e se empodera
Fêmea que é
E se transforma, no desequilíbrio fluído do ato,
No lar que o guerreiro quer
(lar andarilho....)

Sua seta indicou o rumo
A flecha penetrou o músculo
E assim surgiu uma nova canção no mundo.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Nós

Os nossos olhos se cruzaram
Como flechas dos centauros que habitam em nós
E flertam o céu.

Carrega consigo um par de lábios vermelhos
Que harmoniza perfeitamente com seus dentes
Imagem predileta
Plano detalhe
Talhado no peito

Seu peito
Virou minha cama
E eu
Sua dama

Sempre soubemos nos amar
E parece aterrorizante
O que ainda há a aprender
Sobre nós

Desatando os nós
Como aquele conto dos esquimós
Carneando esqueletos
Lagrimas que nutrem
Tambor no peito
Canção da vida.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Entre Ser

 Criação - Homem e Mulher - Gilvan Samico


Ela desaprendeu a ser um
Virou dois
Virou tudo
Integrou-se
Entregou-se
Entre (go!) ser

Caminha encostada na sombra do sentimento-outro
Protege-se um pouco da claridade intensa desse encontro-sol

Desde que o conheceu, seus olhos se voltam a este projeto insólito de amar
Ela caminha com esta força que colore seus dias
Ela dá passos com as mãos no bolso onde guarda seus olhos
.
Sem perceber melou suas calças do mel que exala a ternura daquele olhar.

Ela o reconheceu
Não de primeira
Mas no instante em que ele - leal - hesitou.
Ela o reconheceu pela lealdade do guerreiro com armadura na face -
aquela imagem mítica que lhe veio no momento em que se encaravam fundo, penetrados.

O tempo com ele é mítico
Impossível de enjaular nos ponteiros
que nos apontam os afazeres ordinários

O mundo com ele é outro
Meio aldeia de índio
Meio abóbodas de sacristias medievais
Meio microcosmo de divisões celulares primitivas
Meio a promessa de um futuro-filho-fruto bem vindo

Desde que se conheceram pertenceram um ao outro
E essa tomada de ser causava um pouco de vertigem

Tentaram entender, sentiram
Tentaram romper, se uniram
Tentaram esconder, descortinam.