Sua escova de dentes ainda figura no mesmo lugar. As trepadeiras que você plantou na janela todos os dias abrem botões roxos e lisérgicos, colorindo meu olhar. Tem uma cueca sua pendurada no cabide do quarto. Seu desodorante está aqui. Seu violão. Sua vitrola. Todos os seus discos. Alguns livros esquecidos.Sua caixinha de Cuba. Ainda há um fio que guardo. Um fio da nossa história. Um fio de fé.
domingo, 9 de dezembro de 2018
terça-feira, 12 de junho de 2018
Tudo que eu quis foi pousar no teu peito
Eternamente
Te via velhinho
Compreendendo meus tropeços
Rindo da minha menina
Essa que habita meus olhos
E você reconhece o brilho
Achei que teríamos tempo
Para as crias
Para as plantas no jardim
Para aventurar-nos em nós
Acreditei que erraríamos
E acertaríamos
E cresceríamos juntos
Sempre juntos
Porque te escolhi
Porque nos escolhemos
Mas o passado
Nunca perdoamos
E o futuro nos separou.
Eternamente
Te via velhinho
Compreendendo meus tropeços
Rindo da minha menina
Essa que habita meus olhos
E você reconhece o brilho
Achei que teríamos tempo
Para as crias
Para as plantas no jardim
Para aventurar-nos em nós
Acreditei que erraríamos
E acertaríamos
E cresceríamos juntos
Sempre juntos
Porque te escolhi
Porque nos escolhemos
Mas o passado
Nunca perdoamos
E o futuro nos separou.
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Belo instrumento no peito de tanta nobreza
E eis que estica sua seta o guerreiro
Com olhos de coragem e espanto
Lança-se no mundo ao lado de quem o ama
Ela, em perfeita simetria ancestral, faria o mesmo.
Tornaria-o possível
Travaria duras batalhas em busca de seus olhos
O medo/coragem atravessa sua noite
Mas aquele tambor no peito seduziu com graça
Uma moça amarela que dança
Despida no meio da noite
Ela dança sem saber que é alvo
Ela apenas dança e se empodera
Fêmea que é
E se transforma, no desequilíbrio fluído do ato,
No lar que o guerreiro quer
(lar andarilho....)
Sua seta indicou o rumo
A flecha penetrou o músculo
E assim surgiu uma nova canção no mundo.
sábado, 17 de dezembro de 2016
Nós
Os nossos olhos se cruzaram
Como flechas dos centauros que habitam em nós
E flertam o céu.
Carrega consigo um par de lábios vermelhos
Que harmoniza perfeitamente com seus dentes
Imagem predileta
Plano detalhe
Talhado no peito
Seu peito
Virou minha cama
E eu
Sua dama
Sempre soubemos nos amar
E parece aterrorizante
O que ainda há a aprender
Sobre nós
Desatando os nós
Como aquele conto dos esquimós
Carneando esqueletos
Lagrimas que nutrem
Tambor no peito
Canção da vida.

Como flechas dos centauros que habitam em nós
E flertam o céu.
Carrega consigo um par de lábios vermelhos
Que harmoniza perfeitamente com seus dentes
Imagem predileta
Plano detalhe
Talhado no peito
Seu peito
Virou minha cama
E eu
Sua dama
Sempre soubemos nos amar
E parece aterrorizante
O que ainda há a aprender
Sobre nós
Desatando os nós
Como aquele conto dos esquimós
Carneando esqueletos
Lagrimas que nutrem
Tambor no peito
Canção da vida.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Entre Ser
![]() |
| Criação - Homem e Mulher - Gilvan Samico |
Ela desaprendeu a ser um
Virou dois
Virou tudo
Integrou-se
Entregou-se
Entre (go!) ser
Caminha encostada na sombra do sentimento-outro
Protege-se um pouco da claridade intensa desse encontro-sol
Desde que o conheceu, seus olhos se voltam a este projeto insólito de amar
Ela caminha com esta força que colore seus dias
Ela dá passos com as mãos no bolso onde guarda seus olhos
.
Sem perceber melou suas calças do mel que exala a ternura daquele olhar.Ela o reconheceu
Não de primeira
Mas no instante em que ele - leal - hesitou.
Ela o reconheceu pela lealdade do guerreiro com armadura na face -
aquela imagem mítica que lhe veio no momento em que se encaravam fundo, penetrados.
O tempo com ele é mítico
Impossível de enjaular nos ponteiros
que nos apontam os afazeres ordinários
O mundo com ele é outro
Meio aldeia de índio
Meio abóbodas de sacristias medievais
Meio microcosmo de divisões celulares primitivas
Meio a promessa de um futuro-filho-fruto bem vindo
Desde que se conheceram pertenceram um ao outro
E essa tomada de ser causava um pouco de vertigem
Tentaram entender, sentiram
Tentaram romper, se uniram
Tentaram esconder, descortinam.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
De um tal Lucas
Levo comigo o cheiro do meu perfume misturado à tua pele, aroma preferido.
Levo comigo um sorriso largo todas as vezes que me lembrar dos seus lábios.
Levo comigo a dialética de encontros inesperados que misteriosamente tecia o laço.
Levo duas entradas para o teatro e um olhar vermelho de Miró.
Levo as palavras inspiradas cravadas no peito.
O sabor da aventura de desbravar pelo desconhecido que é este teu reino.
Carrego um pôr do sol que te iluminava laranja e me lançava no abismo.
Aquele banho de água doce em que nos misturamos à pedra e fomos um só.
Levo comigo pássaros libertados do coração de uma santa.
"Não levo nenhuma única gota de veneno."
Levarei aquela casa leve, com uma cama pequena, perfeita pra nós dois.
Um ombro direito onde repousava meus sonhos.
Um enlace que me levava à eternidade.
Os discos, livros e poetas ressonantes...
"E é um assombro por tudo isso que nenhuma carta, nenhuma explicação, podem dizer a ninguém o que foi."
(Inspirado no conto "A mulher que diz tchau." de Eduardo Galeano.)
Assinar:
Postagens (Atom)


