segunda-feira, 26 de março de 2012

Vênus em Sagitário


Remexendo meus papéis e minha memória, eis que encontro uma folha manchada e escrita à lápis, oriunda de um tempo de mim que nem sei...

 

Nasci para sentir saudade
Está tudo guardado aqui e nada pesa
De sol a sol pressinto a aurora de meus sonhos
Florescerem na vida em canções e desapegos
Solto o instante
Deixo-o percorrer nas superfícies e nos adentros e no que em mim não me pertence
E recordo que nada me pertence

Pertenço eu a tudo que vibra


terça-feira, 20 de março de 2012

POTENCIAL



E ele disse:

..e Deus criou o homem...errar é divino!


OUTRO HOMEM:  e o homem criou deus.. errar é humano

mesmo.

OUTRO HOMEM e a terra criou o homem, errar é

teráqueo??

ELE: e o cosmo criou a terra...errar é cósmico???

O PRIMEIRO: Não, a Terra não é um erro. ;)

ELE:  comparado ao q?

O PRIMEIRO: Comparado ao erro de criar um deus.

ELE: aí é uma outra coisa, uns acreditam outros não, todos

 morrem menos ele...

O PRIMEIRO: sonhos são como deuses, quando não se

 acredita neles, deixam de existir".

ELE: funciona na música •

 O PRIMEIRO:Na prática só não funciona porque as crianças

 aprendem a repetir a música urbana.

ELE: não vou entrar nessa discursão com vossa

 majestade...se isso é ou não é real...





OUTRO HOMEM: ‎"...foi deus mesmo que, terminado o seu

 trabalho e revestida a forma de serpente, pôs-se ao pé da

 ciência: dessa forma repousou do cansaço de ser deus.

 Fizera muito bem… O diabo não é mais que a ociosidade de

 deus cada sete dias…". Nietzsche, o cara que matava

 deuses com a inteligência.

OUTRO HOMEM se já existe uma palavra para designar

 alguma coisa, simbolicamente, então a coisa já existe... não

 existe palavra para o que não existe... agora, saber o que é,

 é que são outros 500... é muita gastação de palavra...

ELE:  só lembrando uma coisa velha que eu li por aí:

No muro de berlim estava pixado: Deus está morto!

ass. Nietzsche

dias depois apareceu uma pixação abaixo dizendo:

Nietzsche está morto!

ass. Deus
.
O TERCEIRO: acho muito mais poderoso e digno Nietzsche

 matar deus que deus matar Nietzsche...


O PRIMEIRO: Vai Planeta, ahahahah


ELE:  acho q os dois vivem ainda hj em plena

 harmonia....rsrsrsr


O PRIMEIRO: Mas mas mas... ateus precisam?

ELE: riquezas são diferenças, acho q todos precisam de

 conteúdo pra tudo...a dor, o medo da morte e outros

 continuam aí com ou sem Deus. as pessoas precisam de se

 apegar a alguma coisa, mesmo que seja ao desapego...ou

 não

.
O PRIMEIRO: No meu caso específico, o apego estava dando

 dor nas costas! Agora não, me sinto mais confiante em mim

 mesmo, com mais amor próprio, a vida faz mais sentido.


ELE: eu confesso que sinto necessidade do q posso chamar

 de mitologia pra mim, muitas coisas e lugares eu não

alcanço e sou mais dq sei de mim, que é uma dose

mínima...acredito na possibilidade do mistério e espero de

 coração que estejamos todos enganados e do outro lado

 seja apenas melhor e a jornada continua...


ELA: Nietzsche não matou deus, expandiu suas

 possibilidades, além dos muros da instituição DEUS, trouxe-o

 para terra, fez a terra acertar e divinizou todo bom fruto

 preparado por ela. Niezsche fez Deus dar cambalhotas e

 lembrou-nos que rir nos redime de qualquer erro. Errar traz

 o novo. O homem é criador. Falo do fálico poder e

 penetração e afirmação. Julgar é que atrapalha muito, mas


 estamos aprendendo, né?


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Último presente


Te ofertei as melhores horas da minha idade
O meu corpo maduro e pronto para o gozo infinito
Te abri minhas portas
pernas
te deixei transitar pela gruta escura
e pela casa clara
criei frases de efeito para materializar a intensidade da proposta bruta que o peito impunha sem pestanejar
Abri meus braços e fui só entrega

Os segundos de quentura no peito
A poesia dos olhos mudos extasiados de espanto e beleza
O colo mais macio
O entrelaçar mais simbiótico

E me parece justiça divina perceber que o que te ofertava
Habita em mim independente de ti
A beleza pertence aos olhos de quem a nutre
Por isso eu pinto você bonito 
E me despeço do que não demos tempo do tempo invadir



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MULTIPLICIDADE DE PERSONAS, EXPERIMENTAÇÃO ALEATÓRIA DE PAPÉIS



Ela e seus muitos pensamentos, uma casa harmonicamente desordenada e inspirações latentes...
A chuva cai sonoramente do lado de fora. A natureza lentamente orquestra o porvir.
Ela encarna tantas! Há uma força voraz que ela tem que aprender a dominar.
As muitas se manifestam perversamente escancarando na cara a dinâmica das metamorfoses. Elas são belas feras fazendo caretas simbólicas altamente magnéticas, concentram em si toda força básica do universo. A chuva anuncia as muitas quedas e o enxague. Ela soa, voa, escoa... Elas se dissolvem num todo e um rosto de mulher sorri ao fundo como se tudo isso a construísse plena.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011



Ele nunca soube o nome dela. Apenas que tinha uma cizatriz no queixo e que quando a viu chegar as pernas bambearam. Mas jamais vai esquecer da paisagem que ela pintava em seu peito. As lembranças eram força potente e avassaladora, se impunham sobre o agora.

E essa saudade ia ficar imprimida para sempre nos vãos de sua história.

(Sobre lembrar do que me emociona. "A moça da cicatriz no queixo", Eduardo Galeano.)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

RAINHA DE COPAS






As emoções transbordam e eu fico atenta ao meu pulsar. Não controlo nada, ao contrário do que minha doce, equivocada e caprichosa criança quer. Ela quer ser única, o centro das atenções, quer encantar e compartilhar seus mundos imaginários.

Tudo é doce e irmão meu, tudo em abundância, em sincronia com os poderes da terra. Nada sei, apenas sinto o poder em minhas mãos querendo jogar. Respondendo aos meus apelos. Minhas intenções se movem pelo mundo fazendo magia. Dançando e brincando com os desejos, sem estar bem certa que o faz de fato.

Meu pensamento é livre e transborda nestes dias de boa companhia. Partilho luz. E tudo me soa fielmente sagrado. É tempo de encontros, de despertar caminhos. É tempo de manifestação. Reúnem-se as almas afins querendo girar e dançar com o universo. Lançando-se no fluxo pleno e eterno.

Há uma corrente de luz perto de ti. Baile esta ciranda, atenda aos apelos do teu corpo que te movimenta, que te alquimiza, que vive contigo respirando os átomos, querendo dançar a melodia divina que põe tudo serenamente bem e atento em seu único e inevitável lugar, sabendo que a sombra é seu próprio negativo e ela impulsiona a luz, como um trampolim.

Amo minhas linhas. É certo que as amo? Então porque as enfraqueço com dúvidas desengonçadas e infantis? Para testar sua força? Não sei de nada, apenas sinto a vastidão de mim engolindo tudo - o meu passado e o meu futuro de uma vez só - dilatando o presente. Onde todos se reúnem para comer, compartilham suas experiências, tomam uns mates e fumam sua erva no melhor dos refúgios.

Lá fora insiste uma tempestade úmida, como se o universo controlasse o meu destino. O cheiro de ti exala por meus poros. Lembro-me dos teus olhos doces e agradeço por estar aqui, regando minhas flores do teu vermelho. O que virá, não sei, mas sei que também é irmão meu e o convidarei para entrar e compartilhar sua luz e sua sombra. Para que fiquemos cada vez mais fortes, nutridos de agora. Emaranhados nessa teia sábia e abundante, mãe criadora, nave de manifestação de poder.

Sou sua filha, niña encantada, encantada e sempre agradecida, tu me ofertas água e jorro. A terra é doce pra quem sabe mirá-la. A terra é doce e de mim escorre mel e vinho e bons perfumes que te procuram, profundidade. Buscam a rainha de pés molhados e olhar fixo na taça transbordante. Rainha cujo semblante é fluxo e liberdade. Seduz o coração do guerreiro, o faz encarar os mistérios de seu próprio ser, cuja vastidão é entrega feminina. Imensidão que ele há de descortinar com sua musa gris - ela sobe com asas grandes e levanta o vôo da visão: desperta a criança que acredita em milagres, aquela que entende que o instante é e sempre foi a eternidade.

Necessita-se entender a sombra, deixar ir o feio e o que não serve mais, para fazer esse sumo girar no universo novamente e que ele encontre sua casa de luz e alimento pra alma, que algo lhe sirva de impulso.

Quanto a ti, niña equivocada e deslumbrada, segue acreditando no seu reino de sutilezas, segue, que sua rainha há de despertar muitos perfumes, estes que o vento de ti levará aos teus horizontes, despertando-os, fazendo-o caminhar para ti, magnética.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Paradoxos, contradição...






Faz tempo que não sinto a melancolia partir...
Dias estranhos esses..
Não sei se bem, se bem há
Há esse estado desengonçado de movimento pulsante que gera a vida
Essa mistura de dor e prazer que cai e flutua ao mesmo tempo
Rarefeita e densa
Imensa
Inorgânica, imaterial
Positiva pelo negativo
Dialética estética inalcansável
Que paira e não sai do lugar
Rumo ao infinito evolutivo

Faz tempo que o daqui a pouco era
Esse tempo que não cabe em mim
Me envolve numa dança inerte
De fantasia e verdade
Flerte de consciência
Transcendência


Sou isso em abandono
Poeira levantada
Rastro de luz
Passos na areia

Sou cola velha
Rabisco errado
Fio desencapado

Sou só
Rugas, celulite, gastrite
Sou o corpo que perece
Que adoece
A lágrima que cai
Sorriso desmanchado
Água que escorre
Cisco no olho
Vento na cara
Arrepio antecipado
Pés descalços
Atenção
A tensão
Intenção
Emoção

Sou quem experimenta
A crueza, a beleza
O oscilar da alma em desengano
Sou eterno abandono

Sou tudo de velho



Sou o desgaste da sua poltrona


Sou o que vem a tona





Imprevisível

Instável

Acuável

Vulnerável Imperfeição

Sou o que não se move
O que não socorre
Teu patrão

Sou isso que oprime
Que não se redime
Nem com o canhão

Sou morte lenta

Paradóxos, contradição...