quinta-feira, 9 de julho de 2020
segunda-feira, 15 de julho de 2019
domingo, 24 de março de 2019
segunda-feira, 11 de março de 2019
domingo, 9 de dezembro de 2018
SOBRE O AMOR
Sua escova de dentes ainda figura no mesmo lugar. As trepadeiras que você plantou na janela todos os dias abrem botões roxos e lisérgicos, colorindo meu olhar. Tem uma cueca sua pendurada no cabide do quarto. Seu desodorante está aqui. Seu violão. Sua vitrola. Todos os seus discos. Alguns livros esquecidos.Sua caixinha de Cuba. Ainda há um fio que guardo. Um fio da nossa história. Um fio de fé.
terça-feira, 12 de junho de 2018
Tudo que eu quis foi pousar no teu peito
Eternamente
Te via velhinho
Compreendendo meus tropeços
Rindo da minha menina
Essa que habita meus olhos
E você reconhece o brilho
Achei que teríamos tempo
Para as crias
Para as plantas no jardim
Para aventurar-nos em nós
Acreditei que erraríamos
E acertaríamos
E cresceríamos juntos
Sempre juntos
Porque te escolhi
Porque nos escolhemos
Mas o passado
Nunca perdoamos
E o futuro nos separou.
Eternamente
Te via velhinho
Compreendendo meus tropeços
Rindo da minha menina
Essa que habita meus olhos
E você reconhece o brilho
Achei que teríamos tempo
Para as crias
Para as plantas no jardim
Para aventurar-nos em nós
Acreditei que erraríamos
E acertaríamos
E cresceríamos juntos
Sempre juntos
Porque te escolhi
Porque nos escolhemos
Mas o passado
Nunca perdoamos
E o futuro nos separou.
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Belo instrumento no peito de tanta nobreza
E eis que estica sua seta o guerreiro
Com olhos de coragem e espanto
Lança-se no mundo ao lado de quem o ama
Ela, em perfeita simetria ancestral, faria o mesmo.
Tornaria-o possível
Travaria duras batalhas em busca de seus olhos
O medo/coragem atravessa sua noite
Mas aquele tambor no peito seduziu com graça
Uma moça amarela que dança
Despida no meio da noite
Ela dança sem saber que é alvo
Ela apenas dança e se empodera
Fêmea que é
E se transforma, no desequilíbrio fluído do ato,
No lar que o guerreiro quer
(lar andarilho....)
Sua seta indicou o rumo
A flecha penetrou o músculo
E assim surgiu uma nova canção no mundo.
sábado, 17 de dezembro de 2016
Nós
Os nossos olhos se cruzaram
Como flechas dos centauros que habitam em nós
E flertam o céu.
Carrega consigo um par de lábios vermelhos
Que harmoniza perfeitamente com seus dentes
Imagem predileta
Plano detalhe
Talhado no peito
Seu peito
Virou minha cama
E eu
Sua dama
Sempre soubemos nos amar
E parece aterrorizante
O que ainda há a aprender
Sobre nós
Desatando os nós
Como aquele conto dos esquimós
Carneando esqueletos
Lagrimas que nutrem
Tambor no peito
Canção da vida.

Como flechas dos centauros que habitam em nós
E flertam o céu.
Carrega consigo um par de lábios vermelhos
Que harmoniza perfeitamente com seus dentes
Imagem predileta
Plano detalhe
Talhado no peito
Seu peito
Virou minha cama
E eu
Sua dama
Sempre soubemos nos amar
E parece aterrorizante
O que ainda há a aprender
Sobre nós
Desatando os nós
Como aquele conto dos esquimós
Carneando esqueletos
Lagrimas que nutrem
Tambor no peito
Canção da vida.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Entre Ser
![]() |
| Criação - Homem e Mulher - Gilvan Samico |
Ela desaprendeu a ser um
Virou dois
Virou tudo
Integrou-se
Entregou-se
Entre (go!) ser
Caminha encostada na sombra do sentimento-outro
Protege-se um pouco da claridade intensa desse encontro-sol
Desde que o conheceu, seus olhos se voltam a este projeto insólito de amar
Ela caminha com esta força que colore seus dias
Ela dá passos com as mãos no bolso onde guarda seus olhos
.
Sem perceber melou suas calças do mel que exala a ternura daquele olhar.Ela o reconheceu
Não de primeira
Mas no instante em que ele - leal - hesitou.
Ela o reconheceu pela lealdade do guerreiro com armadura na face -
aquela imagem mítica que lhe veio no momento em que se encaravam fundo, penetrados.
O tempo com ele é mítico
Impossível de enjaular nos ponteiros
que nos apontam os afazeres ordinários
O mundo com ele é outro
Meio aldeia de índio
Meio abóbodas de sacristias medievais
Meio microcosmo de divisões celulares primitivas
Meio a promessa de um futuro-filho-fruto bem vindo
Desde que se conheceram pertenceram um ao outro
E essa tomada de ser causava um pouco de vertigem
Tentaram entender, sentiram
Tentaram romper, se uniram
Tentaram esconder, descortinam.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
De um tal Lucas
Levo comigo o cheiro do meu perfume misturado à tua pele, aroma preferido.
Levo comigo um sorriso largo todas as vezes que me lembrar dos seus lábios.
Levo comigo a dialética de encontros inesperados que misteriosamente tecia o laço.
Levo duas entradas para o teatro e um olhar vermelho de Miró.
Levo as palavras inspiradas cravadas no peito.
O sabor da aventura de desbravar pelo desconhecido que é este teu reino.
Carrego um pôr do sol que te iluminava laranja e me lançava no abismo.
Aquele banho de água doce em que nos misturamos à pedra e fomos um só.
Levo comigo pássaros libertados do coração de uma santa.
"Não levo nenhuma única gota de veneno."
Levarei aquela casa leve, com uma cama pequena, perfeita pra nós dois.
Um ombro direito onde repousava meus sonhos.
Um enlace que me levava à eternidade.
Os discos, livros e poetas ressonantes...
"E é um assombro por tudo isso que nenhuma carta, nenhuma explicação, podem dizer a ninguém o que foi."
(Inspirado no conto "A mulher que diz tchau." de Eduardo Galeano.)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
As vezes me fito abismada:
Essa que sou eu e que toma decisões
Essa que se desmancha e anda pra frente sem saber como
Essa que ama e investiga seu destino
As vezes olho o que é próximo como se fosse uma porta entreaberta
Sem vasculhar fundo esse objeto de minha de minha superficial autoridade
Entretida nos devaneios do ego
Vasculhando pouco dos outros
Pouco de fora
Egoísta,
Entretida nas profundezas de mim
Vagueio aqui
Só.
Sem olhar ao redor
Caminhando...
Essa que sou eu e que toma decisões
Essa que se desmancha e anda pra frente sem saber como
Essa que ama e investiga seu destino
As vezes olho o que é próximo como se fosse uma porta entreaberta
Sem vasculhar fundo esse objeto de minha de minha superficial autoridade
Entretida nos devaneios do ego
Vasculhando pouco dos outros
Pouco de fora
Egoísta,
Entretida nas profundezas de mim
Vagueio aqui
Só.
Sem olhar ao redor
Caminhando...
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Álvaro de Campos em sua histeria divina!!!
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiquês humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultâneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora,
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora dele há só ele, e tudo para ele é pouco.
Cada alma é uma escada pra Deus,
Cada alma é um corredor-universo para Deus,
(...)
Toda Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
(...)
Ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
(...)
Grande coração pulsando no peito nú dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu prório corpo de terras e rochas, teu corpo submisso
À tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!
(...)
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada transpassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com minha pele e meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre.
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, não quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito estoura
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem em baixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo, para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.
(...)
Dentro de mim estão presos a atados ao chão
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios que se precipitam.
A chuva como pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar minha alma.
Ruge, estoura, vence, quebra, estrondeia, sacode
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo meu corpo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!
Uma vontade física de comer o universo
Toma às vezes o lugar do meu pensamento...
Uma fúria desmedida
A conquistar a posse como que observadora
Dos céus e das estrelas
Persegue-me como um remorso de não ter cometido um crime.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiquês humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultâneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora,
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora dele há só ele, e tudo para ele é pouco.
Cada alma é uma escada pra Deus,
Cada alma é um corredor-universo para Deus,
(...)
Toda Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
(...)
Ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
(...)
Grande coração pulsando no peito nú dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu prório corpo de terras e rochas, teu corpo submisso
À tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!
(...)
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada transpassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com minha pele e meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre.
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, não quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito estoura
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem em baixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo, para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.
(...)
Dentro de mim estão presos a atados ao chão
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios que se precipitam.
A chuva como pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar minha alma.
Ruge, estoura, vence, quebra, estrondeia, sacode
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo meu corpo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!
Uma vontade física de comer o universo
Toma às vezes o lugar do meu pensamento...
Uma fúria desmedida
A conquistar a posse como que observadora
Dos céus e das estrelas
Persegue-me como um remorso de não ter cometido um crime.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Paraty
Paraty
Ponto de partida
Passagem de ida
Começo da vida
Nenhuma ferida
Para ti essa cidade
Pára aqui nessa cidade
De muita idade
Abriga Trindade
E uma infinidade de beleza
Encontro das águas
Encontro-me na natureza
Terra eterna regada
Brota fruta do nada
E eu contemplo calada
Colada nas águas
A escorrer com o Rio
E me derramar no mar
Terra do Sono
Praia sem dono
E eu em abandono
Fazendo plano de viajar
Mas Paraty deve chamar Páraqui
Para ti esta terra, ri
Vi
Voltei
Fiquei
Não sei
Amei...
(2006)
Ponto de partida
Passagem de ida
Começo da vida
Nenhuma ferida
Para ti essa cidade
Pára aqui nessa cidade
De muita idade
Abriga Trindade
E uma infinidade de beleza
Encontro das águas
Encontro-me na natureza
Terra eterna regada
Brota fruta do nada
E eu contemplo calada
Colada nas águas
A escorrer com o Rio
E me derramar no mar
Terra do Sono
Praia sem dono
E eu em abandono
Fazendo plano de viajar
Mas Paraty deve chamar Páraqui
Para ti esta terra, ri
Vi
Voltei
Fiquei
Não sei
Amei...
(2006)
domingo, 6 de julho de 2014
HORIZONTE FECUNDO
Remeto-me neste instante àquelas águas correntes dos morros de curvas verdes.
Meu ali.
Meu logo ali que alcanço agora e se transforma na coisa mais bela que posso oferecer de mim.
Meus passos seguem em frente dizendo agora como e por onde devo prosseguir.
O horizonte me acalma como um pai.
As cores deste fim de dia me preenchem.
Agradeço ao deus do mato e à deusa da água doce - eternos amigos
Deixo-me flutuar ao relento por uns instantes, aqueles que circundam o azul anil
Meu presente se torna cada vez mais enfático e as horas engordam
Neste exclusivo reconhecimento de existir
Inauguro o meu destino
Brindando com vinho tinto
Meu primeiro passo pra vida oriunda do horizonte fecundo
Meus olhos são só compreensão e alegria
meus olhos, neste instante, lêem o fluxo
Estou aqui
Correndo, correndo, escorregando nessas horas macias
A poesia me infecta e eu só posso sorrir e me abrir pra ela - irmã de todas as horas
Que saudade de estar aqui, reverberando meu agora
Por ora, é só.
Meu ali.
Meu logo ali que alcanço agora e se transforma na coisa mais bela que posso oferecer de mim.
Meus passos seguem em frente dizendo agora como e por onde devo prosseguir.
O horizonte me acalma como um pai.
As cores deste fim de dia me preenchem.
Agradeço ao deus do mato e à deusa da água doce - eternos amigos
Deixo-me flutuar ao relento por uns instantes, aqueles que circundam o azul anil
Meu presente se torna cada vez mais enfático e as horas engordam
Neste exclusivo reconhecimento de existir
Inauguro o meu destino
Brindando com vinho tinto
Meu primeiro passo pra vida oriunda do horizonte fecundo
Meus olhos são só compreensão e alegria
meus olhos, neste instante, lêem o fluxo
Estou aqui
Correndo, correndo, escorregando nessas horas macias
A poesia me infecta e eu só posso sorrir e me abrir pra ela - irmã de todas as horas
Que saudade de estar aqui, reverberando meu agora
Por ora, é só.
domingo, 29 de setembro de 2013
O MOMENTO HOJE
Busco o instante doce
O momento hoje
O que em mim é inesperado.
Sinto a brisa gelada
Reparo o som da gargalhada
O amargo do café
Vivendo de fé e agora
Não vejo passar a hora
Agora que hora não há
É como se fora do tempo
O dia revelasse a aurora
Lá fora meu dentro
Esse lugar
Sou esse cão que ladra constante
Aquele galo distante
Minha memória do antes
Toda saudade que há
Sou os olhos atentos e noturnos do gato que na frente está
A esperança da gente de no céu chegar
Em cada estrada que passar
Estará lá tudo de mim
Tudo que devo encontrar
Me ensinando que a vida é assim
Esse eterno desvendar
Se eu quiser nunca terá fim
Se eu quiser pode tudo acabar
sábado, 14 de setembro de 2013
ZILDA
Era uma vez uma moça
simples, que aos 9 anos perdeu sua referência de pai. A mais velha de 4 irmãos,
os restantes do sexo oposto.
Era uma vez uma menina
que foi à escola aos 11 anos e aos 15 se despediu de sua mãe.
Ela se apaixonaria um
ano depois pela primeira vez.
Eram beijos furtivos por detrás da roseira branca.
Ele, um moreno cheiroso que beijava bem.
Dez anos mais que ela.
Um amor de verão e inverno, um amor de cartas de amor, um amor, único amor.
Eram beijos furtivos por detrás da roseira branca.
Ele, um moreno cheiroso que beijava bem.
Dez anos mais que ela.
Um amor de verão e inverno, um amor de cartas de amor, um amor, único amor.
E ela não era a única do
danado pé de valsa, fogo livre, passarinho de galho em galho que ora pousava em
seu canteiro fazendo juras de amor.
Ela se casaria com ele.
Até hoje, 70 anos depois, ela se casaria com ele. Fugiria com ele se não fosse
errado, ou se não fosse tão correta.
Cinco anos durou a maior
aventura de sua vida, entre cartas e beijos escondidos de um homem passarinho.
E ela se permitiu sonhar
e se permitiria a vida inteira esse vôo.
Quando ele foi embora
ela disse que não seria mais de ninguém. Revoltada com os desejos do tempo que
nada tinham a ver com seus desejos íntimos, trancou-se por três anos. Até um
novo moreno cortejá-la. O sobrinho do passarinho, três anos menos.
E ela não quis mais
saber de esperar. Foi um ano de namoro e um de noivado e lá estava ela
atrelando seu destino a alguém, cuja união semearia duas vidas: um homem, meu
pai, e uma mulher, minha tia.
Foram 23 anos de uma vida tranquila na recém inaugurada Brasília. Chegaram na década de 70. Pode-se dizer – Candangos – aqueles que acreditaram em Brasília quando Brasília era barro.
Foram 23 anos de uma vida tranquila na recém inaugurada Brasília. Chegaram na década de 70. Pode-se dizer – Candangos – aqueles que acreditaram em Brasília quando Brasília era barro.
E se foram os anos e
Brasília é asfalto e ela... Ela é uma menina de quase 80 anos que voa todos os
dias detrás de suas roseiras imaginarias...
terça-feira, 30 de abril de 2013
Em alguma data do começo de mim hoje
Acabou
A torre desmoronou
Já estou entre os destroços
Pior não vai mais ficar
Serenizei os meus cacos
Acalmei minhas paixões
Não posso me perder porque perdi alguém
Nem posso desejar que outro venha preencher este vazio
Não há mais lugar
Estou fechada para conserto
Preciso arrumar essa bagunça
Pelo menos não há interferência do concreto quando respiro fundo e olho pro céu.
Ainda é noite
Mas meu coração já pensa em amanhecer
Já pensa em pulsar leve
Sem expectativas
Chega de falar, calei-me
Chega de pensar, entreguei-me
Chega de orgulho
Colhi os frutos malditos deste embrulho
Vinculei-me noturna,
ignorante, curiosa,
inconsequente
Conduzi-me para a queda
Já a previa,
Era necessária e certa
Agora me remonto
Mais discreta
E antes de dormir com essas cinzas, peço para Papai do Céu que você sonhe comigo!
A torre desmoronou
Já estou entre os destroços
Pior não vai mais ficar
Serenizei os meus cacos
Acalmei minhas paixões
Não posso me perder porque perdi alguém
Nem posso desejar que outro venha preencher este vazio
Não há mais lugar
Estou fechada para conserto
Preciso arrumar essa bagunça
Pelo menos não há interferência do concreto quando respiro fundo e olho pro céu.
Ainda é noite
Mas meu coração já pensa em amanhecer
Já pensa em pulsar leve
Sem expectativas
Chega de falar, calei-me
Chega de pensar, entreguei-me
Chega de orgulho
Colhi os frutos malditos deste embrulho
Vinculei-me noturna,
ignorante, curiosa,
inconsequente
Conduzi-me para a queda
Já a previa,
Era necessária e certa
Agora me remonto
Mais discreta
E antes de dormir com essas cinzas, peço para Papai do Céu que você sonhe comigo!
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Pele Preta
Aquela moça preta e imponente repousa na frente das horas,
Como se quisesse me fazer esquecê-las
Como se o prazer lhe somasse a eternidade
Como se o universo fosse essa lua de muitas fases que rebate
luz ciclicamente
Essa casa branca que de noite fica amarela me seduz
sutilmente
Meu fiel escudeiro se chama Jazz
Minha poesia pulsa amiga
Bate a minha porta querendo me beijar com força
Eu como boa navegante permito-me uma deriva extensa por mim
mesma.
Uma música cabalística soa como se me trouxesse de presente
aquele passado doce
É como se esse passado encaminhasse meu passar
Meus passos transbordam
Me levam logo ali
Espírito livre.
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