sábado, 14 de setembro de 2013

ZILDA




Era uma vez uma moça simples, que aos 9 anos perdeu sua referência de pai. A mais velha de 4 irmãos, os restantes do sexo oposto.

Era uma vez uma menina que foi à escola aos 11 anos e aos 15 se despediu de sua mãe.

Ela se apaixonaria um ano depois pela primeira vez. 

Eram beijos furtivos por detrás da roseira branca. 

Ele, um moreno cheiroso que beijava bem. 
Dez anos mais que ela. 
Um amor de verão e inverno, um amor de cartas de amor, um amor, único amor.

E ela não era a única do danado pé de valsa, fogo livre, passarinho de galho em galho que ora pousava em seu canteiro fazendo juras de amor.

Ela se casaria com ele. Até hoje, 70 anos depois, ela se casaria com ele. Fugiria com ele se não fosse errado, ou se não fosse tão correta. 

Cinco anos durou a maior aventura de sua vida, entre cartas e beijos escondidos de um homem passarinho.

E ela se permitiu sonhar e se permitiria a vida inteira esse vôo.

Quando ele foi embora ela disse que não seria mais de ninguém. Revoltada com os desejos do tempo que nada tinham a ver com seus desejos íntimos, trancou-se por três anos. Até um novo moreno cortejá-la. O sobrinho do passarinho, três anos menos.

E ela não quis mais saber de esperar. Foi um ano de namoro e um de noivado e lá estava ela atrelando seu destino a alguém, cuja união semearia duas vidas: um homem, meu pai, e uma mulher, minha tia. 

Foram 23 anos de uma vida tranquila  na recém inaugurada Brasília. Chegaram na década de 70. Pode-se dizer – Candangos – aqueles que acreditaram em Brasília quando Brasília era barro.


E se foram os anos e Brasília é asfalto e ela... Ela é uma menina de quase 80 anos que voa todos os dias detrás de suas roseiras imaginarias...




terça-feira, 30 de abril de 2013

Em alguma data do começo de mim hoje

Acabou
A torre desmoronou
Já estou entre os destroços
Pior não vai mais ficar
Serenizei os meus cacos
Acalmei minhas paixões

Não posso me perder porque perdi alguém
Nem posso desejar que outro venha preencher este vazio
Não há mais lugar

Estou fechada para conserto
Preciso arrumar essa bagunça

Pelo menos não há interferência do concreto quando respiro fundo e olho pro céu.

Ainda é noite
Mas meu coração já pensa em amanhecer
Já pensa em pulsar leve

Sem expectativas

Chega de falar, calei-me
Chega de pensar, entreguei-me
Chega de orgulho

Colhi os frutos malditos deste embrulho

Vinculei-me noturna,
                                 ignorante, curiosa,
                                 inconsequente

Conduzi-me para a queda
Já a previa,
Era necessária e certa

Agora me remonto
Mais discreta

E antes de dormir com essas cinzas, peço para Papai do Céu que você sonhe comigo!



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pele Preta



Aquela moça preta e imponente repousa na frente das horas,

Como se quisesse me fazer esquecê-las
Como se o prazer lhe somasse a eternidade
Como se o universo fosse essa lua de muitas fases que rebate luz ciclicamente

Essa casa branca que de noite fica amarela me seduz sutilmente
Meu fiel escudeiro se chama Jazz
Minha poesia pulsa amiga
Bate a minha porta querendo me beijar com força

Eu como boa navegante permito-me uma deriva extensa por mim mesma.
Uma música cabalística soa como se me trouxesse de presente aquele passado doce
É como se esse passado encaminhasse meu passar
Meus passos transbordam
Me levam logo ali


Espírito livre.





domingo, 8 de abril de 2012

Valente


Uma vez nos disseram: olha, este caminho está muito ruim, o carro não agüenta, é ao lado da cordilheira, é mais bonito, lógico, mas ali, só 4X4; é mais seguro pegar esta estrada que você anda só cem quilômetros a mais, mas a estrada é muito boa, um tapete! Um pampa para contemplar e a segurança, né?

Olhamos-nos entusiasmados e cúmplices porque sabíamos que íamos pelo caminho mais bonito, não importavam os riscos. Vinho, vales, outono, seca, um sonho árido e gelado. Estávamos já perto do Chile. 150 quilometros percorridos em seis horas, um ciclista nos ultrapassou!




Mas o Valente seguiu viagem, quase sem combustível, com os olhos fracos de quem trepidou durante horas, seguimos rumo às montanhas desertas de Neuquén, rumo ao crepúsculo sinuoso e às viagens sem fim.

Entre Nietzsche e Reich


...O ser humano é uma corda estendida entre o verme e o super homem...
                                                                                        Nietzsche, em Assim falou Zaratustra



Tens medo de altos vôos, medo da altura e da profundidade. Tu devoras a tua felicidade. Nunca fostes capaz de gozá-la com plenitude. É por isso que a devoras avidamente, sem sequer assumir a responsabilidade de a assegurares. Nunca foi permitido aprender a cuidar das tuas alegrias, a alimentar a felicidade como o jardineiro o faz com tuas flores, como o homem da terra as suas colheitas. É fácil devorar a felicidade na tua companhia, mas é difícil protegê-la.
Entras em pânico a cada vez que sentes os impulsos primordiais do amor e da dádiva. É por isso que tens medo de dar. A tua permanente avidez só tem um significado: te sentes vazio, esfomeado, infeliz, ignorante, temendo a sabedoria. É por isso que foges da verdade, ela poderia fazer-te amar.
Tens um medo mortal da tua própria profundidade, por isso nem sequer a sentes. Temes a queda e a perda da tua individualidade, quando só terias a ganhar com o abandono.
Viverás bem e em paz quando a vida significar para ti mais do que a segurança; o amor mais do que o dinheiro; a tua liberdade mais do que as linhas diretivas do governo que eleges; quando a tua forma de pensar estiver de acordo com tua forma de sentir; quando for possível reconhecer os teus dotes a tempo e reconhecer a tempo o teu declínio, a tua velhice.


Plantei a semente de palavras sagradas neste mundo.

(Fragmentos do texto "Escuta Zé Ninguém", de Wilhem Reich 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Vênus em Sagitário


Remexendo meus papéis e minha memória, eis que encontro uma folha manchada e escrita à lápis, oriunda de um tempo de mim que nem sei...

 

Nasci para sentir saudade
Está tudo guardado aqui e nada pesa
De sol a sol pressinto a aurora de meus sonhos
Florescerem na vida em canções e desapegos
Solto o instante
Deixo-o percorrer nas superfícies e nos adentros e no que em mim não me pertence
E recordo que nada me pertence

Pertenço eu a tudo que vibra


terça-feira, 20 de março de 2012

POTENCIAL



E ele disse:

..e Deus criou o homem...errar é divino!


OUTRO HOMEM:  e o homem criou deus.. errar é humano

mesmo.

OUTRO HOMEM e a terra criou o homem, errar é

teráqueo??

ELE: e o cosmo criou a terra...errar é cósmico???

O PRIMEIRO: Não, a Terra não é um erro. ;)

ELE:  comparado ao q?

O PRIMEIRO: Comparado ao erro de criar um deus.

ELE: aí é uma outra coisa, uns acreditam outros não, todos

 morrem menos ele...

O PRIMEIRO: sonhos são como deuses, quando não se

 acredita neles, deixam de existir".

ELE: funciona na música •

 O PRIMEIRO:Na prática só não funciona porque as crianças

 aprendem a repetir a música urbana.

ELE: não vou entrar nessa discursão com vossa

 majestade...se isso é ou não é real...





OUTRO HOMEM: ‎"...foi deus mesmo que, terminado o seu

 trabalho e revestida a forma de serpente, pôs-se ao pé da

 ciência: dessa forma repousou do cansaço de ser deus.

 Fizera muito bem… O diabo não é mais que a ociosidade de

 deus cada sete dias…". Nietzsche, o cara que matava

 deuses com a inteligência.

OUTRO HOMEM se já existe uma palavra para designar

 alguma coisa, simbolicamente, então a coisa já existe... não

 existe palavra para o que não existe... agora, saber o que é,

 é que são outros 500... é muita gastação de palavra...

ELE:  só lembrando uma coisa velha que eu li por aí:

No muro de berlim estava pixado: Deus está morto!

ass. Nietzsche

dias depois apareceu uma pixação abaixo dizendo:

Nietzsche está morto!

ass. Deus
.
O TERCEIRO: acho muito mais poderoso e digno Nietzsche

 matar deus que deus matar Nietzsche...


O PRIMEIRO: Vai Planeta, ahahahah


ELE:  acho q os dois vivem ainda hj em plena

 harmonia....rsrsrsr


O PRIMEIRO: Mas mas mas... ateus precisam?

ELE: riquezas são diferenças, acho q todos precisam de

 conteúdo pra tudo...a dor, o medo da morte e outros

 continuam aí com ou sem Deus. as pessoas precisam de se

 apegar a alguma coisa, mesmo que seja ao desapego...ou

 não

.
O PRIMEIRO: No meu caso específico, o apego estava dando

 dor nas costas! Agora não, me sinto mais confiante em mim

 mesmo, com mais amor próprio, a vida faz mais sentido.


ELE: eu confesso que sinto necessidade do q posso chamar

 de mitologia pra mim, muitas coisas e lugares eu não

alcanço e sou mais dq sei de mim, que é uma dose

mínima...acredito na possibilidade do mistério e espero de

 coração que estejamos todos enganados e do outro lado

 seja apenas melhor e a jornada continua...


ELA: Nietzsche não matou deus, expandiu suas

 possibilidades, além dos muros da instituição DEUS, trouxe-o

 para terra, fez a terra acertar e divinizou todo bom fruto

 preparado por ela. Niezsche fez Deus dar cambalhotas e

 lembrou-nos que rir nos redime de qualquer erro. Errar traz

 o novo. O homem é criador. Falo do fálico poder e

 penetração e afirmação. Julgar é que atrapalha muito, mas


 estamos aprendendo, né?